O Fim

07 de Fevereiro de 2014 Elias Lima Prosa Poética 1866

Hoje eu vi uma borboleta com suas asas quebradas
Ela se arrastava em sua impotência e fraqueza
Mas como qualquer ser vivo,
Tentava.

Hoje eu vi um bem-te-vi caído
Estava ferido a pedradas
Tiram-lhe então a capacidade de voar
Tiram-lhe então a liberdade
Agora está preso a um chão frio e sem vida
Onde põe-se diariamente a chorar.

Hoje eu não vi minha estrela brilhar
Nuvens escuras me impediam de enxergar a luz do luar
Monstros da nossa própria criação talvez a assustara
Eu temo ser o fim da minha vida sem ela
Pois nada aqui na Terra há de se guardar por muito tempo
Tudo está se perdendo nas fumaças das fábricas
Tudo está se esvanecendo como um vapor de sangue de gente pobre, de crianças sem escola, de jovens sem emprego, de idosos abandonados.

A morte se aconchega e então me abraça
Não sei se resisto ou me entrego
Afinal, toda essa tentativa não vai dar em nada (vai?)

Anjos e demônios preparam-se para guerrear
E vejo as belas asas do meus querubins se desfazendo no ar
Caindo sobre mim.
Assisto tudo do meu quintal que antes existia um jardim
Agora é campo de guerra entre o bem e o mal.

Eu corro e vou para a minha janela
Do quarto eu vejo a derrota da minha esperança
Mas o bem ficará guardado como lembrança
De quem por tanto tempo sonhou em ser eternamente criança.

Anjos feridos, caídos e sem asas sangram em desespero em meus olhos
Eu fico cego por estas lágrimas de medo
Espíritos obsessivos me rodeiam
Querem o meu espírito
Querem ferir os meus sentimentos
Diante do fim, eu me entrego?

Vozes diabólicas tentam me enlouquecer
Me roubar todo o resto de sanidade que pude esconder
Assustado, temendo tudo e a todos
Então eu não durmo
Monstros da eterna escuridão me chamam
Me assombrando.

Então nesse caos externo e interno eu cedo à minha sedutora tristeza
Essa gloriosa desesperança que me desfaz em poeira
E entrego minha alma às sombras da maldade e da indiferença
Eu temo não acordar mais
Mas o que é acordar enquanto o mundo dia após dia se acaba?

Assim então eu me entrego
Frágil, fraco e cego
Por tudo que vejo nos noticiários
Por tudo que sinto ao andar nas ruas da cidade
Por tudo que minha sanidade já não pode mais suportar.

Esse texto está protegido por direitos autorais.
Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

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