Eu vivo em dois mundos
O mundo de sonhos e este, o real
Não consigo viver sem mergulhar na minha imaginação
Não consigo entender a maldade que nos causa tanta destruição.

No mundo dos sonhos tudo é possível
Desde o menino pobre até a garota rica desiludida
Nele eu enxergo minha existência com otimismo
Na vida há tantas pedras
Que ao anoitecer eu tenho que esquecer para não cair no abismo do pessimismo.

A vida por si só, não tem sentido
O sentido vem de nós
Do nosso olhar
Da nossa vontade de querer mudar
Mas para melhor
Este mundo perdido.

Por vezes as duras pedras no caminho
Nos cansam tanto que a gente põe para flutuar o nosso destino
Por vezes nos ferimos tanto que nos imobilizamos
E entregamos nossa esperança para o abrigo da desesperança.

Entre viver e sonhar
Ainda prefiro sonhar mais
Viver é um constante morrer sem cessar
Um intervalo entre um suspiro e outro
Que não nos traz nenhuma paz
É preciso mais, sempre mais.

Sonhar é se realizar no mundo das possibilidades que há na imaginação
É se entregar aos seus sonhos e dormir em paz.
Viver nos dias atuais tem sido sofrer
E eu já não quero mais.

Entre dois mundos tão diferentes eu decido sobreviver
Sobrevivo de esperança nos sonhos
Sobrevivo de luta por almejá-los
Sem deixar que os espinhos que sangram em meu peito
Me agarrem com suas forças para me enlouquecer.

Viver só se torna útil se temos sonhos
Mas sonhos bons, incluindo eu e você
Porque o tempo é curto e não há coisa pior do que se arrepender.
É necessário sonhar um mundo possível
Onde a paz seja a nossa mãe
Onde a força do bem nos traga a luz para as nossas péssimas lembranças.
Onde tudo é possível aos que sonham
Onde tudo é possível se nos amarmos
Onde tudo é possível em nossas diferenças
Onde tudo é possível com todas as nossas semelhanças que é crer num mundo mais possível: o mundo das crianças.