Não sei se ressuscitei ou se ainda estou morto.
O meu corpo se arrasta no chão tentando alcançar a mão da vida.
Os pensamentos mórbidos, cansados de viver em vão me estagnam.

Estou em dois mundos
O meu: imaginário
E este: real e sombrio.
Estou preso.
Correntes de maus pensamentos me perseguem. E me capturam.
Espíritos carniceiros me devoram o corpo, a mente e o espírito tão pouco são.

Tento alcançar o céu, mas ele está vermelho
A lua está escura, sem brilho e sem alguma vida.
Acho que não há saída.
E num torpor onde estou translúcido eu me entrego.

Um vento sopra cinzas de crianças mortas
Mortas de fome, mortas de tristeza, mortas da realidade.
A chuva cai e me toca com a sua tristeza, ó Deus!
Como podemos te matar de tanta dor e decepção?

Tudo que eu quero é esquecer
Limpar-me a memória de demasiadas e cruéis lembranças
De todos os noticiários de nossas crianças mortas por nós.
Mortas pela nossa indiferença, pela nossa ignorância
E pelo nosso cruel e devasto desejo de destruir e matar.

Estou numa selva, não tenho dúvida
No poder estão os meus inimigos
Na base da pirâmide estão os que sofrem comigo.

Eu só espero o paraíso
Porque nesta vida
Tudo me parece um perigoso
Cruel e sangrento castigo.