Existe uma dor aqui
Sufocada, engasgada na garganta
Amarrada em meu peito
Arrancaram-me novamente a paz daqui de dentro
Levaram-me novamente a alegria de te ver sorrindo.

Sufocada em meus pulmões
Ela quer gritar
Enlaçada de medo
Ela quer se enfrentar
Amarrada em meu peito
Ela quer se libertar.

E mostrar minhas fraquezas.
Eu não quero chorar.

Não dor!
Fique ai como está!
Já a suportei demasiadas vezes
E desta vez eu não vou me entregar!
Desta vez você não irá me derrubar
Desta vez minha mágoa ficará contida
Como um rio congelado
Que não deságua em nenhum lugar.

Essa dor se espalha em meu espírito enquanto me deito
Tirando-me o sono, me tirando o sossego
Dilacerando minha alma
Rasgando-me o peito.
Um punhal da verdade gritando em pesadelos.

O brilho do sol fica escuro
As nuvens acinzentam-se
O céu fica vermelho
O tempo muda o tempo inteiro
Oscilando entre redenção e medo
Medo desse desejo de se entregar
Apavorado com o possível desespero que essa redenção pode causar.
Danos sem reparos.
Feridas sem consertos.

Ainda não me acostumei a imaginar
Você ai de cima, brilhando como sempre brilhou ao meu lado
Eu ainda estou aqui e mantenho esse cruel desejo
De te expulsar deste mundo desconhecido e te trazer de volta para o meu leito.

Meu coração se nega a aceitar
A sua partida para o mistério
Aonde você não pode ouvir o meu pranto, nem sentir o meu lamento.

Mas o tempo vai passar
E essa dor irá cessar
Dando espaço para o que de maravilhoso vivemos
Um ao lado do outro
Abrindo espaço para uma cicatriz que se fechará em minha alma
Levando-me mais uma parte de mim para um mundo que me atormenta e me assombra
Levando-me mais um pedaço da minha paz que se vai e nunca mais irá voltar para completar esse quebra-cabeça que é a vida.
Levando-me a sua presença me deixando a ausência do teu amor que sempre foi o meu respirar
Desde o primeiro momento que te vi
Até o último dia que pude te abraçar.
Enfim, adeus meu grande amigo.
Até um belo dia.