Até o último segundo de vida eu quero papel e caneta.
Do mundo vou falar.
Borrando o papel de tinta, eu vou denunciar.

A minha última angústia quero expressar.
Só assim poderei partir em paz,
Com a minha missão cumprida.

De tudo quero dar testemunho
Da vida, do mundo, da existência
E da decadência disso tudo.

Da minha infância até cá.

Porque sempre fui introspectivo,
Fechado em mim mesmo
Calando minha voz quando precisava gritar
Engolindo minhas lágrimas quando precisava desesperadamente chorar.

Mas com uma caneta e um papel eu viro um guerreiro
Ganho asas e vôo
Ganho poderes e venço minhas dores
Ganho fé e venço este mundo.

Meus escritos são intensos
Melancolicamente eu escrevo
Pois meus sentimentos também são
E a minha solidão é um cão
Que late sem cessar em minha escuridão.

Então em meu último suspiro eu quero:
Um abraço quente e bem forte
Depois de chorar tudo em caneta e papel
Depois de gritar pela última vez tudo que vivi e senti.
Me despindo  para o mundo antes de partir.

Antes de fechar os olhos pela última vez
Para nunca mais, talvez,
Voltar.
Antes de nunca mais, talvez,
Sentir.