Meu Destino

22 de Junho de 2014 Elias Lima Prosa Poética 1769

Cansaço.

Sinto em mim todo tipo de cansaço.

Minha alma queima,

Como castigo dos quem amam demais

Sensibilizam demais

Num coração já sem espaço

Para colher demasiadas desilusões.


Toda a tristeza que encontro,

Eu carrego

E dentro de mim, um oceano se faz

Cheio de dores e revoltas

E os meus bons sentimentos

São torturados

Viram pesos,

Desolados.


Enxergo a solidão nas belas flores
em seus jardins sem cor

Enxergo a melancolia nas nuvens
carregadas de tristeza

Enxergo o desprezo de Deus por
nós.

Enxergo o Caos e o Fim tomando
conta de nossas crianças

E sinto toda a dor de enxergar

Aquilo que sem sentimento,



Ou sem alguma sensibilidade,

Passaria despercebido em meu
olhar.


Estamos perdidos

Sofrendo em círculos

Sem chance de voltar para trás.



Vamos com antidepressivos nos
bolsos

E dormimos drogados.


Estamos todos cansados

Cansados de termos horas contadas
para tudo

E num desespero coletivo,

Esperamos encontrar essa tão
falada felicidade

Como nas propagandas de margarina

Como nas propagandas de carros.


Em ideais, nos perdemos

Na prática, somos desafiados

Caráter ou corrupção?

Jesus ou Judas?

Bem ou mal?


Não existe meio termo

Não enxergamos a razão

De sermos perseguidos
violentamente

Pelas propagandas da televisão

Pelo Espírito Capitalista que nós herdamos

Devido a nossa ganância em ter
mais

Da nossa Sagrada Vaidade desumana
e desenfreada

Que não enxerga quem está ao nosso
lado

E nos esbarrando, tropeçando num
corpo de um mendigo

Não notamos que os nossos
sentimentos foram congelados.


Então,

Todas as tristezas do mundo eu
carrego

Só,

Em minha fiel e companheira

Solidão.


Das plantas aos animais

Eu sinto dor

Dor que me arranca o coração

Que nem o meu espírito suporta

Que a alma não disfarça em sua
desilusão diária.


A humanidade nunca existiu

O que existe são animais
naturalmente injustos

Desiguais.


No outdoors,

Marcas nos vendem ilusões

Nos comerciais de tevê

Promessas de eterna juventude

Nas propagandas eleitorais

Mentiras bem articuladas e
enfeitadas

Para enganar o povo que sofre sem
o pão de cada dia

Entregados ao acaso

Com todo descaso.


Cansado,

Aterrorizado por tudo isso que
tenta me derrubar

Eu não durmo, preocupado

O que será de mim amanhã?

O que será de todos nós se nos
afogarmos nesse mar cheio de decepções?



Ingênuo que sou,

Não percebi.

Estamos abandonados no fundo do
oceano há tempos.

Sem chance de voltar à superfície

E de viver a nossa mesmice

A nossa amável vida medíocre

Que nos faz naufragar enquanto
respiramos

E não podemos esperar por resgate

Pois a categoria está em greve.


Mente perturbada,

Irrequieta

Não se cansa de maltratar o meu
frágil ego

Que até hoje sobrevive através do
meu alterego

Senão adormeço em minha insanidade
para sempre

E não volto mais.


Cansado de saber

Que de mentiras a economia
enriquece o nosso Estado

Em detrimento do nosso estado

Físico e psíquico

Então, após alguns anos de
servidão e de escravidão

Somos enterrados

Sem sonhos,

Sem nada ter alcançado.

Além de mentiras planejadas
estrategicamente

Para nos aniquilarmos.


Cansado estou,

De viver

De existir,

De enxergar tudo

De sentir,

De ser.


A alegria virá pela manhã

Dizem-me quando estou triste

E descrente de qualquer religião

Eu me deito com os fantasmas do
passado

E desapareço com as sombras do
presente.


A angústia é a presença de um
vazio constante

De um desejo não saciado
permanentemente

Então essa é a minha vida

Um “não” bem grande estampado em
minha testa

Marcada de sangue de inocentes.


Amanheceu?

Cadê a alegria?


Promessas não me alegram

Nem demagogias.


O meu futuro é a semente que eu
planto hoje

O meu destino eu colherei assim
que a semente crescer

Mas isso não depende de mim

Depende do quanto estamos abertos
para nos conhecermos

E pararmos de nos ignorar em nome
do consumismo doentio

E pararmos para ouvir os nossos
corações

As angústias de nossos espíritos

A aflição constante da alma

Que vive em suplício.


Todas as idéias e crenças que nos chegam

Têm de ser vigiadas

Porque serão abrigados em nossas
mentes

E farão moradas em nossos
pensamentos

Tornando-nos cada vez mais
obsessivos

Compulsivos e autodestrutivos.


A vida corre rapidamente com o
tempo

E vai levando tudo consigo

É preciso deixar tudo partir

Deixar tudo correr

Percorrer seu caminho

Para cada um encontrar o seu
destino.


Não me digam que o amanhã a Deus
pertence

O meu destino está em minhas mãos

O futuro é uma grande ilusão.


Em meus pés cansados

De tanto caminhar

De tanto andar por caminhos
escuros e cheios de espinhos

Irá de encontrar o seu lugar nesse
mundinho

Cheio de rostinhos enfeitados para
me enganar

Cheio de armadilhas para extrair
de mim,

Toda a energia que ainda me
resta em meu espírito.


O fracasso poderá bater-me a porta

Partindo minha alma ao meio

Mas aceitá-lo-ei com honra e paz

De quem foi íntegro em seu mais
profundo íntimo.


A vaidade,

Fútil e pérfida

Tentará perfurar o meu ego

Ferir o meu fraco e frágil coração

Já há tanto tempo torturado

Desde o primeiro suspirar

Até o seu último e
derradeiro fraquejar. 


A minha porta estará
sempre aberta

Aceitarei as conseqüências
dos meus atos

E mesmo que o meu ego por
vezes, resistente e teimoso hesite

Eu enfrentarei tudo que
vier de peito aberto.


Da vida que é o tempo da
nossa morte

Eu quero pagar todos os
meus erros

Mesmo que eu caia em lama
suja de merda

Eu aceitarei com dignidade
e auto-respeito.


Na vida temos que arriscar

Do medo temos que ter medo

Pois o medo paralisa

E você não sai do lugar.


Em minha existência

Que presa está neste mero
corpo

Eu entreguei os meus
sonhos ao Universo.

Dar-se-á certo, não sei

Só sei que fiel a mim,
serei.


E que venham os resultados

Eu os aceitarei desde aplausos
a vaias

Aquilo que tanto sonhei.


Pobre garoto sonhador!

Romântico és por natureza

Por isso sofre mais que os
outros.

Digo-lhe: cuidado com o
mundo

Ele te engolirá em dois
segundos

Se você não se preparar
para a guerra que terá de enfrentar.


Os sonhos neste mundo não
são bem vindos

E tudo que você poderá
contar

É com você mesmo e sua fé.

Fé em si e crença em seu
destino.


Não se deixes parar por
medos, inseguranças

Neuroses e traumas de
infância

O que é seu é seu

Toma-te para si o teu
caminho

E percorra-o sorrindo

Pois ninguém pode lhe
tirar o brilho que carregas em tua alma

Ninguém pode lhe tirar os
teus sonhos amigo,

Estes sim, são os temperos
que dão sabor a vida.

Sem eles, nada disso tudo faria
algum sentido.


Ser pobre já é um castigo

É ter um futuro
pré-destinado a pena de morte do Estado

É ter o caminho escurecido
por tiros nos morros

Enquanto você segue seus
passos em seus sonhos dormindo.


Ser pobre e sonhador é
padecer no inferno

É lutar contra os próprios
monstros

Que diariamente tentam nos
devorar

Nos roubar a sanidade

Jogando-nos na pior lama
de nós mesmos.


De suas imaginações tão
frágeis à sua realidade

Segues,

Com os teus sonhos
escondidos em suas pequenas mãos de criança

Cheias de esperanças

Num mundo que trilha o seu
caminho à desesperança

Carrega-os como uma pedra
sagrada

Muito sensível

Se quebrada,

Jamais será restaurada.


E lembre-se pobre menino,

Esse é o golpe do Estado.


Meu ego,

Fraco e entorpecido de dor

Anestesiado minimamente
com drogas do “bem estar”

Me arrasta para o iminente
fim.

E de volta ao pó,

Após queimar-me tanto em
pesadelos e agonias até os ossos

Eu ressurjo das cinzas

Como uma fênix que volta
mais forte.

Porém mais triste.


Pobre garoto do gueto,

Delira-se para não
enlouquecer em seus abismos de dores

De espíritos obsessivos e
fantasmas carniceiros.

Estes estão sempre
contigo,

Maltratando e esmagando o
seu miserável e fraco espírito

Mas ele insiste em não
ouvi-los

E mesmo caindo,

Caminhando em passos
lentos,

Segue na luz do seu
destino.


Ele não quer concretizar
os seus medos

Na infância, ele não podia
escolher

E se escondeu

Para não morrer.


Agora um pouco mais
resistente

Tenta não enlouquecer

Com essas vozes que o
perturbam aqui e ali

Distraindo-o de seu
caminho

Só para derrotá-lo em sua
maior fraqueza:

O medo.


Vivendo solitariamente em
seu mundo secreto

Cheios de segredos e
verdades incertas

Ele se cansa e cai,

Imergindo em seu oceano
cheio de lágrimas congeladas por um sistema social injusto

Que salgam seu rosto,

Sua realidade,

Sua visão de um bom
horizonte

Onde suas lágrimas
cessarão

E o oceano será quente

E o sol brilhará
constantemente

Queimando suas lágrimas
cansadas e velhas

De tanto viver em seu rosto
cheio de marcas

Cheio de expressões de
tristezas

Em seus olhos pesados

De tanto enxergar o lado
verdadeiro de nossa História.


Cansado,

O menino pobre sofre
quieto e paralisado

A beleza da Natureza
parece invisível

A energia do Universo
parece ter o abandonado.

Neste quarto escuro

Onde ele esconde seus
medos mais obscuros.


Ele está recolhido,

Em sua crise depressiva
ele teme perder sua sanidade

Teme ser o seu fim

Teme morrer sem antes
cumprir sua missão neste Universo Perdido.


Ao acordar deste pesadelo,

Ele avista o sol de sua
janela

Brilhando em seus lençóis
velhos e remendados

Aquecendo-o como sempre o
faz o belo Sol

E aliviado deste terror

Ele agradece por estar
vivo e poder recomeçar tudo outra vez.


Viver é resistir

É tentar até não poder

É insistir até quando não
se tem vontade

É enxergar aquilo que
ainda não se pode ver

Mas que nos conforta o coração

E os pensamentos.

Para que no fim

Saboreemos o gosto de não
termos sidos derrotados

Pelo sistema desigual e
desumano

Onde todos se encontram
fracos e perdidos

Cansados e oprimidos.

Seja pela pobreza 

Seja pela ignorância alheia

Seja por qualquer preconceito

Seja pela companhia diária da tristeza.


Devíamos ser como as
crianças

Que na chuva em vez de se
lamentar

Brincam e dançam

Enquanto as gotas caem
sobre suas cabeças

E sem medo, elas sorriem e
cantam.


Devíamos estar vitalizados

E não cansados

Pois o que nos rouba a
força

É a força que está
concentrada no Poder

E de corpo em corpo, ele
se fortalece

Para que sejamos
miseráveis em busca de ideais que nos empobrecem

Tornando-nos miseráveis em
nossas existências

Que de tanto sentir as
injustiças, estão todas na UTI de nossa essência.


E sem força,

Sem crença

No pessimismo que nos
inocenta

Colocamos a culpa nos
outros

E não aceitamos os pesos e
as conseqüências

De nossas escolhas já há
muito tempo feitas.


E vitimizando nossos egos

Destruímos o que há de
melhor em nós:

A consciência

Que se despertada e
lapidada para o bem

Podem nos trazer imensas
riquezas

Como a paz, a ética, a
nobreza no caráter

O amor por excelência.


Então já não me sinto mais
cansado,

Estou revitalizado em
minha crença

De que minha parte está
sendo feita

E que de semente em
semente

Eu vou plantar gigantes
árvores de amor e beleza

Que nos abriguem nos dias
de frio e de solidão

Neste mundo perdido e sem
solução.


Este é o meu destino.



Esse texto está protegido por direitos autorais.
Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

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