Maria Menina

28 de Dezembro de 2012 Társis Farias Redações 792

Maria sempre foi indelicada, tímida, curiosa e desajeitada demais para uma menina. Ela era tão menina!

Cresceu ouvindo o melhor do que puderam lhe oferecer na época, ouviu muitos “contos”, aprendeu e os decorou... Sonhava, dançava, traçava histórias de sua vida, carregou seus sonhos até onde conseguiu carregá-los. Ela acreditava, ela acreditou até viver outra história. Ela era tão menina...

Cresceu complicada, e complicava-se mais e mais, na mesma proporção em a vida lhe batia. Andava pelas noites como um cão sem dono, o delírio já era constante, em meios tantas esquinas ela podia ouvir o medo sussurrando-lhe, mas se mostrava forte com suas garrafas e injeções. Quando não entrava em viagens distorcidas, Maria se transformava em uma menina apaixonada pelo céu e estrelas, tão doce, com os olhos queimando de paixão. Conseguia mesmo que por pouco tempo se limpar de toda aquela sujeira, emergia do poço de mágoas, no meio da água lodosa emergia a flor mais pura e esperançosa; A Maria de todas as Marias.

Maria antes de se entristecer com a vida, se lamentava por não ter asas, sonhava em ser um passarinho, para poder voar livre pelo céu. Ela se emburrava por saber que nunca teria a sensação de voar. Todo final de tarde de um domingo, sentava perto da janela para ouvir blues, Maria melancólica tentava forçar o seu próprio choro, queria se debulhar em lágrimas, dizia que aquele som era muito bonito para não chorar, pensava que só com lágrimas era possível demonstrar os mais verdadeiros e profundos sentimentos, porém nenhuma lágrima molhava seus olhos.

Maria não chorava e nunca chorou, nem mesmo com acontecimentos trágicos, mas sabia que por dentro a sua alma estava inundada de lágrimas.
Ela acabou conquistando o mundo para se sustentar, e vivia um pesadelo. Entre a solidão e o suicídio, vivia debilitada. Se considerava uma pessoa covarde por não conseguir dar fim a sua vida.

Maria ainda tinha resquícios de esperança, mesmo que não aceitasse, ela ainda acreditava na vida. Era tão menina...

Numa noite fria; Maria estava quieta, balbuciava, dizia que queria "desnascer", queria ir embora sem sequer se despedir, ela não conseguia achar razão para tanto sofrimento. Repentinamente Maria, começou a perder o fôlego, - ela está cansada, olha para o céu e sorri, - ela tinha todo o universo em seus olhos, pela primeira vez na vida suas preces foram atendidas e pela primeira vez conseguiu chorar. Pálida, com os olhos abertos e marejados, com um leve sorriso torto na face... Ela conseguia ouvir uma música, até que ao fim; desfaleceu... Morreu entre um gozo e uma dor.

Maria... Ela era tão menina, tão ingênua, nunca amou, nunca recebeu uma carta, não estudou, não conheceu o mar, não pôde voar. Maria se foi e ela era tão menina.

Maria menina, a Maria de todas as Marias!

Por Társis Farias
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