Tema – Construção das imagens na reflexão do pensamento humano. (Fuvest – 2006)

A forma como são colocadas as imagens em nosso cotidiano, as imagens dos noticiários, por exemplo, estão diretamente relacionadas com a construção do pensamento social. Como já diz um famoso ditado popular; “Só acredito vendo.” Bons exemplos disso são as imagens que, manipuladas, justificaram o massacre de Eldorado dos Carajás em 1996, a derrota de Luis Inácio Lula Da Silva nas corridas previdências de 1989, ou ainda o retrato de Ernesto “Che” Guevara com seu olhar distante e ruidoso no momento em que Cuba estava sendo invadida pelos Estados Unidos, está foto é a mais estampada em camisetas e ao mesmo tempo é o símbolo da revolução no mundo.
Mas as imagens estão além do material. Quando Carl Gustav Jung decidiu que deveria largar a livre docência como psiquiatra, justificou que como não acreditava que um sentimento como o amor não poderia ser apenas uma secreção ganglionar perdia o sentido lecionar. Este, através de suas pesquisas filosóficas e psicológicas, descreveu a construção dos símbolos no plano inconsciente, ou seja, transportar pensamentos concretos do plano imaterial para um plano material. Jung ajudou o mundo a compreender como a vida está além do que é tangível e está no âmago da humanidade como Deus, o amor ou uma obra que ainda não foi escrita ou pintada.
Como forma de expressar a relação da humanidade na intervenção aos conceitos supra-citados Guimarães Rosa parece um ótimo exemplo, pois em Grande Sertão: Veredas, além da visão superficial do sertão existe a visão do homem sertanejo ao que o cerca, existe um diálogo entre conceito fechado (denotativo) e aberto (conotativo) onde o homem é o ambiente assim como o ambiente é o homem.
Vimos, portanto, que as imagens, em suas vastas facetas, são o resultado da inter-relação da humanidade com seu próprio inconsciente como também de uma pessoa para outra que enxerga a toca o que em outro momento foi uma abstração do pensamento alheio. O poder da imaginação é o combustível da evolução do pensamento racional.

Miguel Angelo Sena Da Silva Junior