A natureza do trabalho mudou. O velho paradigma “mãos trabalhando e mente dormindo” já não tem mais espaço em nossa sociedade dinâmica. Hoje o que as empresas querem é que empreguemos nossa inteligência no trabalho. É nessa nova natureza do trabalho que surge o discurso do prazer. A empresa estuda formas de tornar o ambiente de trabalho o mais confortável e prazeroso possível, porque os ganhos de produtividade só podem ser obtidos se o trabalhador empenhar seu espírito no oficio. Uma transformação assim pode até ser feita em favor da produtividade.
Porém isso não elimina a sensação de que o trabalho nos aliena. A recomendação de que as pessoas sintam prazer no trabalho é, muitas vezes, uma fonte de estresse e frustração. Bilhões de dólares são gastos por ano para tratar de trabalhadores estressados e com depressão. O que podemos fazer se sem o trabalho não teríamos nada daquilo que tanto almejamos quando não estamos trabalhando? De Masi propõe o “desenvolvimento sem trabalho”, ele aconselha: investir na automação; uso das pessoas em tarefas com flexibilidade e criatividade; redução drástica do horário de trabalho e melhor distribuição de empregos; recuperação de valores éticos e estéticos; uma gestão baseada na motivação, não no controle; desestruturação do trabalho, permitindo a produção em casa; e a substituição da competitividade pela solidariedade. O que impede isso é que as nossas necessidades aumentam na medida em que são satisfeitas.