A difusão de tecnologia da informação em fábricas, escritórios e serviços reacendeu o antigo temor dos trabalhadores serem substituídos por máquinas e se tornarem impertinentes à lógica produtivista que domina nossa organização social. Começaram a surgir, em todas as partes do mundo, teorias com o propósito de melhor compreender a potencial ruptura dos mercados de trabalho e, portanto, de toda a estrutura social, causada pelo impacto maciço das tecnologias voltadas para a economia de mão-de-obra.
Fato é que a maioria dos empregos industriais tradicionais potencialmente serão extintos, mas novos empregos estão sendo (e serão) criados principalmente na industria de alta tecnologia e, de forma mais significativa, em serviços.
Como prova da continuidade dessa tendência tecnológica, há evidencias empíricas no que tange a experiência das economias industriais dotadas de mais avanços tecnológicos, o Japão e os Estados Unidos: elas são as que criaram o maior número de empregos durante os anos 80. A economia norte-americana cresceu 70% em termos reais, e o nível de emprego, 49%. A economia japonesa cresceu 173%, e seu nível de emprego, 25%. Porém isto não é uma regra. A Comunidade Européia, por sua vez, cresceu 81% mas com um aumento dede empregos de apenas 9%..
Em um contexto mais amplo, embora esteja declinando nos países da OCDE, o número de postos de trabalho industriais está aumentando com rapidez nos países em desenvolvimento, mais do que contrabalançando as perdas em nível mundial. Tudo indica que o alto nível de desemprego é principalmente um problema europeu, causado por políticas macroeconômicas incorretas e por um ambiente institucional desistimulador da criação de emprego privado.
De modo geral, não ha relação estrutural sistemática entre a difusão das tecnologias da informação e a evolução dos níveis de emprego na economia como um todo. Empregos estão sendo extintos, novos empregos estão sendo criados.
A relação quantitativa entre as perdas e os ganhos varia entre empresas, indústrias, setores, regiões e países em função da competitividade, estratégias empresariais, políticas governamentais, ambientes institucionais e posição relativa na economia global. O resultado especifico da relação entre a tecnologia da informação e o emprego depende amplamente de fatores macroeconômicos, estratégias economias e contextos sociopolíticos.
Em grande parte, dependerá, também, de decisões determinadas pela sociedade sobre os seguintes temas: utilização de tecnologias, política de imigração, evolução da família, distribuição institucional do tempo de serviço no ciclo vital e novo sistema de relações industriais.
É claro que a introdução de robôs em uma linha de montagem, por exemplo, reduz a jornada do trabalho humano para determinado nível de produção. Mas não significa que isso diminua os empregos da empresa nem mesmo do setor. Se a qualidade superior e a maior produtividade conseguida com a introdução de maquinas eletrônicas aumentarem a competitividade, tanto a empresa como o setor precisão aumentar os empregos para atender à maior demanda resultante de uma fatia maior do mercado. A nova estratégia de crescimento implicaria aumento de competitividade à custa da redução do emprego em alguns setores, enquanto o superávit gerado dessa forma seria usado para investir e criar postos de trabalho em outros setores, como serviços empresariais ou indústrias de tecnologia.
No caso do Brasil, Silva (apud CASTELLS, 1999) não descobriu nenhum efeito da tecnologia sobre o emprego na indústria automobilística, embora o nível de emprego variasse consideravelmente em função dos níveis de produção.
Então, a tecnologia da informação em si não causa desemprego, mesmo que, obviamente, reduza o tempo de trabalho por unidade de produção. Mas sob o paradigma informacional, os tipos de emprego mudam em quantidade, qualidade e na natureza do trabalho executado. Assim, um novo sistema produtivo requer uma nova força de trabalho e os indivíduos e grupos incapazes de adquirir conhecimentos informacionais podem ser excluídos do trabalho.
O endurecimento da lógica capitalista desde os anos 80 promoveu a polarização social apesar da valorização profissional. Para o autor, essa tendência não é irreversível: pode ser retificada por políticas deliberadas com o objetivo de reequilibrar a estrutura social. Caso contrario, as forças da concorrência desenfreada no paradigma informacional levarão o empregado e a estrutura social à dualizarão. Por fim, a flexibilidade dos processos e dos mercados de trabalho, induzida pela empresa em rede e propiciada pelas tecnologias da informação, afetarão profundamente as relações sociais da produção herdadas do industrialismo, introduzindo um novo modelo de trabalho flexível e um novo tipo de trabalhador: o trabalhador de jornada flexível.
O futuro?
O livro de Castells foi escrito em 1995, portanto, antes da inundação tecnológica atingir sua atual configuração, em que nota-se impactos radicalmente novos das tecnologias, cujos efeitos são universais e abrangentes. Segundo o livro, as projeções de emprego nos países da OCDE para o inicio do século XXI previam um aumento significativo do emprego nos EUA e crescimento moderado no Japão e Comunidade Européia; para o período de 1992-2005 a projeção de aumento liquido de emprego seria de 24 milhões (um aumento total de 6%); e para a União Européia, cerca de 10 milhões (um acréscimo entre 6 e 7%).