Casa-Grande & Senzala

25 de Dezembro de 2013 Gabriela Faval Resenhas 6539


Acadêmicos:
Gabriela Costa Faval


 


Resenha: Casa-Grande &
Senzala – Características Gerais da Colonização Portuguesa do Brasil: formação
de uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida.


Belém – Pará



2009






FREYRE,
Gilberto. Casa-Grande & Senzala – Cap. I: Características gerais da colonização portuguesa do Brasil: formação de
uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida
– pg. 03 – 55. 26ª Ed. Rio de
Janeiro: Record, 1989.


Introdução


Gilberto
Freyre, no livro Casa-Grande & Senzala, revoluciona os estudos no Brasil,
tanto pela novidade dos conceitos quanto pela qualidade literária.



As plantações
de cana foram o cenário das relações íntimas e do cruzamento das três raças:
índios, africanos e portugueses. Além da mobilidade, o português tinha a
capacidade de se misturar facilmente com outras raças. Homens sem família,
sozinhos, chegavam carentes e começavam a se reproduzir primeiro com as índias
e depois com as negras escravas. O branco e o negro se misturavam no interior da
casa-grande e alteravam as relações sociais e culturais, criando um novo modo
de vida no século XVI. As relações de poder, a vida doméstica e sexual, os
negócios e a religiosidade forjavam, no dia-a-dia, a base da sociedade
brasileira.



Os portugueses
davam uma contribuição criativa ao novo mundo através da produção de açúcar. E
implantavam um sistema econômico que aprenderam com os mouros durante a
ocupação da Península Ibérica. Essa contribuição criativa é que diferenciava o
português do holandês e do francês, que para cá traziam apenas aperfeiçoamentos
tecnocráticos.



Na sociedade
escravocrata e latifundiária que se formava, os valores culturais e sociais se
misturavam à revelia de brancos e negros. Sua convivência diária favorecia o
intercâmbio de culturas e gerava sadismos e vícios, que influenciavam a
formação do caráter do brasileiro. A escravatura degradava senhores e escravos.



Em 1984, numa
de suas últimas entrevistas, o escritor Gilberto Freyre resumia o seu
pensamento sobre a situação presente do negro, lembrando o abolicionista
pernambucano Joaquim Nabuco: "O problema é que a abolição da
escravatura, embora tenha sido fato notável na história da formação brasileira,
foi muito incompleta."
 Com a abolição, os problemas do negro
estariam apenas começando. O negro livre deixou as fazendas e os engenhos e foi
inchar as periferias das cidades. Abandonado, constituiu-se num sub-brasileiro.


Capitulo I


A organização
econômica e civil da sociedade brasileira deu-se depois de um século de contato
entre os portugueses e os trópicos. Foi no Brasil que se comprovou a aptidão
portuguesa para a vida tropical, somadas a uma base agrícola, à escravidão, à
estabilidade patriarcal da família e a união do português com a índia, fatos
que se incorporaram à cultura econômica e social dos europeus.



A influência
africana e moura veio, nos punhos portugueses, abrir caminho entre a floresta
densa e terminou por misturar-se ao índio nativo, resultando num reinado
europeu onde o governo era, antes de tudo, africano.



As características
portuguesas estavam carregadas da bicontinentalidade gerada do contato entre
europeus, africanos e mouros, não permitindo – segundo o Conde Hermann de
Keyserling – identificar um tipo físico unificado. Os elementos observados por
ele eram dos mais diversos e opostos, vivendo no que lhe pareceu “união
profunda”.  Em comparação ao europeu
castelhano, podia-se dizer que o caráter português era “vago impreciso”, de
arrojos súbitos, resultante da combinação das raças, culturas, crenças,
costumes e tradições que formaram as características portuguesas. Porém
sobressaem a cultura africana e européia, compondo um dualismo de cultura e
raça.



O encontro
dessas culturas tão diferentes alternava-se em equilíbrio e hostilidade,
característica atual da sociedade brasileira, igualmente equilibrada no início
e antagônica na atualidade.



A mobilidade e
a miscibilidade foram os principais segredos das vitórias portuguesas, pelas
quais se explica o fato de um povo tão restrito em contingente ter se espalhado
tanto e a tão grandes distâncias. A miscibilidade, mais do que a mobilidade,
foi o processo pelo qual os portugueses compensaram a deficiência em massa ou
volume humano para colonizar em grande escala sobre áreas extensíssimas.



A
aclimatabilidade também foi fator determinante do sucesso português. O chamado
“clima português” de Martone, único na Europa, é um clima aproximado do
africano. Contudo, a miscigenação destes com os índios e negros, impede
cientificamente de definir as dificuldades e facilidades dessa aclimatabilidade,
por não haver um exemplar exclusivamente europeu que possibilite tal
averiguação.



Ao contrário
de outros europeus, os Portugueses tiveram grande sucesso ao colonizar o
Brasil, pois se adaptaram de forma rápida e sem muita dificuldade em relação ao
clima, solo e socialização com os nativos. Freyre afirma que os Portugueses não
encontraram tanta dificuldade, por que, as condições físicas e os nutrientes da
nova terra eram semelhantes ao da terra pátria.



Antes da
colonização portuguesa, o único interesse na nova terra era o da exploração
comercial e das extrações das riquezas aqui encontrada, fato este que não é
distante da nossa atual realidade, onde outras nações querem apropriar-se de
terras do solo brasileiro, como a Amazônia, por exemplo.



O fato da
colonização particular promoveu a miscigenação entre os povos, a agricultura
latifundiária, criando assim as grandes colônias agrícolas e com elas a Casa
Grande e os engenhos. Fazendo do Brasil um grande exportador de produtos como o
açúcar, o café entre outros.  Por tanto o
povo Português, na visão de Freyre, foi realmente o mais preparado para
colonizar o Brasil, por já ter uma experiência com os povos africanos.



Gilberto
Freire analisa as relações raciais no Brasil pela perspectiva de uma realidade
na qual os conflitos se harmonizam, sendo o sexo e a religião importantes
terrenos em que se teria dado uma aproximação do branco europeu com o negro
africano e com o índio. O autor atribuiu ao negro, principalmente ao
doméstico,  o papel de co-civilizador da sociedade brasileira.



 Para
Gilberto Freire, a partir de 1532
a colonização portuguesa no Brasil caracteriza-se pelo
domínio quase exclusivo da família rural ou semi-rural. O autor defende a
colonização a partir de uma sociedade agrária e mão-de-obra escrava. A família
é desde o século XVI o grande fator colonizador no Brasil. Pois para o autor a
colonização por individuo quase não deixou traço na plástica economia do
Brasil.



Costuma-se
dizer que o Brasil é o que é por causa de sua colonização, isto é, que só
vieram os que não prestavam para cá. Pois em Portugal era costume usar a
mão-de-obra de presos homicidas ou ladrões. Era estreitíssimo o critério que
ainda nos séculos XV e XVI orientava entre os portugueses a jurisprudência
criminal. A lei mandava tirar a língua pelo pescoço a queimar vivos os que
desacreditavam de Deus ou dirigiam textos a Deus ou aos Santos. Eram degredados
pra os ermos da África ou da América. Mas pelos crimes de assassinato, estupro
ou delinqüência não ficavam sujeitos a penas maiores que a de pagar por multa
uma galinha.



Os
criminosos vindos para o Brasil foram numerosos, esses indivíduos que foram
expatriados para cá por irregularidades ou excessos na sua vida sexual, também
foram atraídos pelas possibilidades de uma vida livre, em meio a muitas
mulheres nuas, aqui se encontravam. Ademais disso, o português trazia consigo
toda experiência acumulada durante o século XV, na Ásia e na África. Entre tais
experiências, o conhecimento da plantação.



Todos
esses elementos e vantagens viriam favorecer entre nós a colonização, que na
América portuguesa, como nas colônias de proprietários dos ingleses da América
do norte repousaria sobre a instituição da família escravocrata; da
casa-grande. Pois o africano faz parte dessa elite; não haveria família
patriarcal sem escravos.



Pela
presencia de um tão forte elemento ponderador como a família rural é que a
colonização portuguesa do Brasil tomou desde cedo o rumo e aspectos sociais to
diversos. É verdade que muitos dos colonos que aqui se tornaram grandes
proprietários rurais não tinham pela terra nenhum amor nem gosto pela sua
cultura.



Para
os portugueses o ideal não teria sido uma colônia de plantação, mas outra
Índia. Aqui terra e homem estavam em estado bruto. Suas condições de cultura
permitiam aos portugueses vantajoso intercurso comercial que reforçasse ou
prolongasse o mantido por eles com o Oriente. Essa ausência de riqueza gerava a
falta de base para uma organização puramente comercial. E isto os teria levado
a se dedicarem à exploração agrícola.



Para as necessidades de alimentação
foram-se cultivando de norte a sul, através dos primeiros séculos coloniais,
quase que as mesmas plantas indígenas ou importadas. Noutros, um vivo colorido
exótico a maior proximidade da África; e em Pernambuco, por ser o ponto mais
próximo da Europa, conservando-se como equilíbrio entre as três influências: a
indígena, a africana e a portuguesa. De modo geral, em toda a parte onde vingou
a agricultura, dominou no Brasil escravocrata o latifúndio, sistema que viria
privar a população colonial do suprimento equilibrado e constante de comida
sadia e fresca.



É ilusão supor-se a sociedade
colonial, na sua maioria, uma sociedade de gente bem-alimentada. Adversas ao
trigo as condições de clima e de solo quase que só insistiram em cultivá-lo os
padres de S. J. para o preparo de hóstias. E a farinha de mandioca usada em
lugar do trigo abandona os plantadores de cana a sua cultura aos caboclos
instáveis. Sobre o desenvolvimento físico e econômico das populações, temos que
reconhecer ter sido o regime alimentar do brasileiro, dentro da organização
agrária e escravocrata que em grande parte presidiu a nossa formação, dos mais
deficientes e instáveis.



No caso da sociedade brasileira o
que se deu foi acentuar-se, pela pressão de uma influência econômico-social –-a
monocultura--- a diferença das fontes naturais de nutrição que a policultura
teria talvez atenuado ou mesmo corrigido e suprido, através do esforço agrícola
regular e sistemático. Na formação de nossa sociedade, o mau regime alimentar
decorrente da monocultura, por um lado, e por outro de inadaptação ao
clima,  agiu sobre o desenvolvimento físico e sobre a eficiência econômica
do brasileiro no mesmo mau sentido do clima deprimente e do solo quimicamente
pobre.



E não só terá sido afetada pela má
ou insuficiente alimentação a grande massa de gente livre, mas miserável, como
também aqueles extremos da nossa população—  as grandes famílias
proprietárias e os escravos das senzalas. Por mais esquisito que pareça, faltavam
à mesa da nossa aristocracia colonial legumes frescos, carne verde e leite. Daí
certamente, muita das doenças do aparelho digestivo, comuns na época e por
muito doutor caturra atributo aos “maus ares”.



É ainda no próprio Cardin que
recolhemos este depoimento de um flagrante realismo: no Colégio da Bahia “nunca
falta um copinho de vinho de Portugal, sem o qual se não sustenta bem a
natureza por a terra ser desleixada e os mantimentos fracos”. País de Cocagne
coisa nenhuma: terra de alimentação incerta e vida difícil é que foi o Brasil
dos três séculos coloniais. A sombra da monocultura esterilizando tudo. Os
grandes senhores rurais sempre endividados. As saúvas, as enchentes, as secas
dificultando o grosso da população o suprimento de viveres.



No Pará no século XVII “as famílias
de alguns homens nobres” não podem vir à cidade pelas festas de natal (1661)”
por causa de suas filhas donzelas não terem que vestir para irem ouvir missa”.



A própria Salvador da Bahia,quando
cidade dos vice-reis,habitada por muito ricaço português e da terra, cheia de
fidalgos e de frades, notabilizou-se pela péssima e deficiente alimentação.



Má nos engenhos e péssima nas
cidades: tal a alimentação da sociedade brasileira nos séculos XVI, XVII,
XVIII. Nas cidades, péssima e escassa. O bispo de Tucumã, tendo visitado o
Brasil no século XVII, observou que nas cidades “mandava comprar um
frangão,quatro ovos e um peixe e nada lhe traziam, porque nada se achava na
praça nem no açougue”; tinha que recorrer às casas particulares dos ricos. Como
podemos perceber de acordo com o texto naquele tempo já havia a escassez de
alimentos às pessoas, fato que ocorre ate os dias atuais onde as pessoas sofrem
com a falta de alimento ocasionando de fato uma má alimentação o que é muito
discutido no texto. As pessoas sofriam com a má condição dos alimentos onde, no
caso, os melhores mantimentos ficavam com as pessoas ricas (nobres) onde
desfavorecia o resto da população.    



A
forma organizada de educar dos Jesuítas foi primordial na contribuição da
catequese da população colonial,  já que
a mesma era facilmente lapidada pela moral, ética social dos Jesuítas. Essa
forma educacional imposta pelos Jesuítas era transferida da mesma forma que
lhes foi dada e a mesma só foi possível por uma fiscalização que havia em canto
do grande território colonial. Na colônia brasileira não houve uma preocupação
em manter as raças, haja vista, que o Brasil viveu exposto a estrangeiros
(outras culturas, raças, opiniões políticas), na verdade o que importava era
que o povo colonial fosse de religião católica, assim, poderiam receber
sesmarias, nem mesmo a saúde havia importância, o importante era ser
cristão. 



O
sistema religioso pregado e imposto pelos Jesuítas, o bem estar político, a
forma de cultura agrícola podem ter influenciado para que os colonos se
conservassem unidos e dentro do parentesco da sociedade,  asseguradas
pelas tendências e pelos processos da colonização portuguesa: regionalista, mas
não separatista; unionista no melhor sentido, no que justamente coincidia com os
interesses da catequese católica, assim, com o catolicismo se conseguia tudo:
prestígio, terras, poder e até mesmo um bom casamento.




no mecanismo de administração colonial basicamente feudal, houve um
endurecimento para assegurar-se a união das capitanias entre si, conservando-as
sob os mesmos provedores, o mesmo governo geral, o mesmo conselho ultramarino,
a mesma mesa de consciência,mas separando-as no que diz respeito ao tratamento
especial e diferencial que cada uma recebia da metrópole,assim visava impedir a
consciência nacional que se opunha a regional, porém totalmente inevitável, mas
mantendo a essência catolicista e a língua portuguesa,com o auxílio da geral de
criação dos Jesuítas. 



O
clima sem variação colaborou para criar diferenças profundas no gênero de vida
colonial, sem mudanças na qualidade física e nem química do solo, ou seja, sem
estímulo ao desenvolvimento de duas sociedades totalmente antagônicas nos
interesses econômicos e sociais no sentido de uniformização. A cana de açúcar
foi cultivada igualmente nas províncias, teve como conseqüência uma sociedade e
um gênero de vida de tendência aristocrata e escravocrata, por interesses
econômicos semelhantes. 



Na
formação da nossa sociedade, o mau regime alimentar imposto pela monocultura e
pela inadequação do clima e solo pobre, foi incisivo no desenvolvimento físico
e de doenças, a mesma economia latifundiária e escravocrata que tornou possível
o desenvolvimento econômico do Brasil por ser estável em relação às
turbulências dos países visinhos.



Uma das influências mais importantes
para o nosso país foi e tem sido a do africano, através de seus hábitos
alimentares, pois sua alimentação é baseada principalmente em vegetais, muito
melhor do que a refeição do homem branco.



Na maior parte do continente
africano, a culinária baseia-se em saladas, mandioca e milho, e esta comida é
dividida criteriosamente pelo chefe da família aos outros membros.



A alimentação do negro não era farta
nos grandes engenhos dos senhores feudais, mas em compensação, nunca podia
faltar, visto que o negro serviu de escravo (mão de obra) para as grandes
lavouras daquela época. Mesmo com todas as dificuldades que os africanos
sofreram durante o processo de nossa colonização, ele era uma das poucas
classes de pessoas que se alimentavam utilizando uma dieta saudável, mesmo com
um regime alimentar escasso e por isso parece que seus descendentes
concentraram uma boa forma, além de terem uma beleza estonteante.



Roquette-Pinto publicou uma
documentação sobre os caborés da Serra do Norte, no Brasil Central.Não havia um
local na Amazônia em que não houvesse a mistura entre o sangue ameríndio, o
híbrido de português com o índio ou africano. Escasseavam as mulheres da cor
negra e os escravos tinham que recorrer “ao rapto das índias” ou caboclas de
povoados mais próximos. E assim misturavam-se com as outras raças, dilapidando
a sua origem pelas localidades amazônicas.



Entre o processo de miscigenação,
ocorreu outro paralelo qual seja a sífilis, doença esta que deixou marcas
grandiosas dentre a população da época colonial. Além de a má nutrição matar
muitas pessoas, a sífilis surgiu também como forma de exterminação das pessoas.
O que disseminava com facilidade dentro das senzalas era justamente a sífilis,
e não permanecia apenas entre os escravos, mas também entre os brancos que
mantinham relações sexuais com as negras. Muitos europeus que chegaram ao
Brasil, foram passando sem quase deixar algum traço marcante nas manchas da
nossa mestiçagem.



A primeira forma de colonização
implantada no Brasil teria sido a de povoamento, pois o contato da população
branca com os indígenas favoreceu o processo de mestiçagem e isto mais tarde
facilitou  a chegada mais tranqüila dos povoadores. Por isso muitos dos
colonizadores só fizeram uma inserção no meio da população indígena.



Não eram somente os portugueses que se
misturavam com os índios, mas também franceses e espanhóis, mas principalmente
portugueses e franceses. A disseminação da sífilis entre os indígenas e os
escravos, não parou apenas entre estes povos, chegando também nos franceses e
nos portugueses que entravam em contato com a população contaminada.



Uma espécie de sadismo do branco e
masoquismo da índia ou da negra predominou nas relações sexuais entres os
europeus e as mulheres da nossa nação inicial. Moll salienta que a primeira manifestação
dos impulsos sexuais na criança depende de influências externas do meio social.
O sadismo e o masoquismo perpetuaram-se nas relações sociais entre as diversas
raças que se misturaram em nosso país e por isso era freqüente a condição da
mulher como submissa ao marido ou ao pai, ou o ciúme da mulher da Casa Grande
com relação as escravas,ou ainda os senhores feudais que mandavam dar surras
nos escravos. A cultura européia se pôs em contato com a indígena, amaciada
pelo óleo da mediação africana.



Outra influência marcante para a
colonização foi a cristianização realizada pelos jesuítas que foi de extrema
importância na formação cultural da sociedade brasileira. Todas estas
influências deram origem a miscigenação que até  hoje perdura em nosso Brasil.



A obra de
Gilberto Freyre é de suma importância na medida em que observamos em sua
análise toda a formação de uma sociedade constituída em bases antagônicas,
tanto em estrutura econômica, quanto cultural. Descrevendo os costumes e
hábitos do povo brasileiro em sua formação, o que tornou os portugueses
triunfantes em uma terra desconhecida, a atração sexual do branco pela índia e
a miscigenação de três raças em condições sociais divergentes, e é nessa
perspectiva que o primeiro capítulo de Casa-Grande e Senzala é retratado.



É uma obra que
deveria ser lida em sua totalidade ou pelo menos resumida para se trabalhar em
qualquer nível de escolaridade – é óbvio que nas séries iniciais, com o auxilio
do professor para a melhor compreensão do aluno– porque a mesma proporcionaria
ao educando uma percepção muito mais ampla da construção da nação brasileira
que meramente decorar datas e fatos para uma avaliação no fim do bimestre. É de
um ensino desinteressante como este que a história local busca afastar-se.



A história
local apresenta-se como um meio para tornar o tempo e o espaço mais próximo do
educando, contextualizando-o a fim de propiciar uma identificação entre o que
se ensina e o que ele vivencia em sua comunidade, para assim formar um aluno
crítico e questionador, capaz de intervir no processo ensino-aprendizagem
ativamente, contribuindo para o amadurecimento de sua cidadania.



O objetivo
desta história está em o professor oferecer as ferramentas necessárias ao aluno
para que este amplie sua visão do mundo que o circunda. Afinal, quando o
educando assimila a história que o construiu é mais fácil para ele desenvolver
o estudo da história escolar, estendendo seus conhecimentos a outras
comunidades, regiões, países, etc..



Contudo,
ensinar a disciplina pela abordagem da história local significa desmitificar um
ensino de simples memorização sistêmica de datas e fatos ocorridos para então,
se chegar a formar um aluno participativo, crítico e investigativo da história
de sua comunidade a partir de um contexto universal que deve ser alcançado com
o direcionamento e estímulo do educador.


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