Obs: primeira parte da resenha referente ao filme. O texto na íntegra você confere aqui.







O primeiro plano de 12 Anos de Escravidão é emblemático: um grupo de escravos esperando pela instrução de um capataz que, logo em seguida, surgirá em cena para lhes dizer como colher cana e, sobretudo, como se comportar perante seus “mestres”, uma cena que, além de expor a lógica perversa por trás da condição daqueles indivíduos, é apresentada acertadamente como algo corriqueiro e trivial, típico daquele período. Em seguida, um belíssimo movimento de câmera por dentro do canavial indo em direção ao protagonista (Northup) e depois em direção ao capataz que se encontra adiante, na carroça, expõe a lógica visual que irá predominar neste belo, impactante e visceral filme.

Escrito por John Ridley a partir do livro homônimo do protagonista, o filme conta a história do violoncelista Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) que no ano de 1841 vivia livre com sua esposa e filhos em Nova York. Entretanto, certo dia, depois de aceitar se apresentar em Washington, acaba por ser sequestrado e vendido como escravo para William Ford (Benedict Cumberbatch), a fim de trabalhar na plantação de cana deste. Posteriormente, acaba sendo novamente vendido, indo parar dessa vez na propriedade do temível Edwin Epps (Michael Fassbender), para trabalhar em suas plantações de algodão. Lá, assim como precisou fazer na fazenda de Ford, Northup – que depois de feito escravo passará a se chamar Platt – precisará sobreviver àquela barbárie tendo que disfarçar sua condição de homem culto a fim de que não sofra represálias maiores por parte de seu “mestre”.

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