O Guarda

24 de Abril de 2014 Maroni Resenhas 733

Alguém já viu um filme em que seus dois primeiros minutos lhe obrigam a vê-lo  por inteiro? Eu vi The Guard. E a recomendação é máxima.

Na trama, o sargento Gerry Boyle (Brendan Gleeson) vive seu tédio rotineiro, totalmente compreensível, esperando apenas seu dia de folga. Um agente do FBI (Don Cheadle) chega então a sua cidadezinha irlandesa para em conjunto com a polícia local impedir a entrada de meio bilhão de dólares, na cotação de seu drug dealer, em drogas na Irlanda. A única pista é a identificação dos traficantes. Entra em cena Boyle, mas não com a sutileza de um pé na porta e um soco na cara. Ele se revela muito pior… ou melhor, ao meu ver.  O personagem é tão incrível que ao final do filme o espectador não lembra de nenhuma frase de Boyle  que não possua o componente ácido/hilário em demasia. Alias, até quando não fala está perfeito.  De resto o filme é apoiado na brilhante estupidez deste personagem, excelentes coadjuvantes escadas, e na resolução da questão criminosa.

O roteiro vai contra a crescente tendência imperativa do politicamente correto banal, mais  evidente em  mídias “formadoras de opinião”.  O filme apresenta piadas que se forem proferidas em alguns anos podem levar a pena de morte ou extradição para Saturno. Seu brilhantismo está em andar na contra mão. Tudo pode ser resumido na frase de Boyle: “Fuck off to America with your “appropriate” fuckin’ Barack Obama.” Caso esse seja o humor da Irlanda, acredito que o país começará a enfrentar problemas com o excesso de imigrantes nos próximos anos.

Enquanto é regra em filmes americanos que TODOS pormenores da trama sejam mostrados exaustivamente, evidenciando  que consideram o espectador estúpido e fazendo questão de que fiquem em estado vegetativo,  aqui notamos as raízes européias do filme com lacunas muito bem posicionadas.

O diretor/roteirista John Michael McDonagh é uma grata surpresa provando que a família é virtuosa: seu irmão já havia realizado o excelente In Bruges anos atrás. Que mantenha a qualidade e sua particular assinatura. A debochada trilha sonora também  é muito apropriada.

Brendan Gleeson já possuía excelentes papeis em seu currículo, mas se superou definitivamente. Caso The Guard não lhe renda uma indicação ao Oscar será a Academia provando mais uma vez que o fundo do poço é mais fundo, com o perdão da redundância.




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