Mais uma de amor e amizade...

29 de Junho de 2011 Fridlle Roteiros 1175

CAPÍTULO I
DOR

-"Então é isso?" Marina perguntava ansiosa, sentindo-se trêmula e temerosa pela resposta.
-"Sim, infelizmente vai ter que ser." Eric respondeu de forma seca; mas ela não pode deixar de fitar os olhos dele, de onde brotavam as lágrimas. -"Você não vai entender, não é mesmo? Mas há certas coisas que só o tempo irá te mostrar. Confie em mim. Eu te amo."
-"Entender o quê? O que eu tenho que enxergar, que meus olhos não vêem?" - ela indagava, cada vez mais exasperada.
Surgiu um breve silêncio, como se ele estivesse procurando o que dizer à ela. Então, subitamente Eric agarrou a mão de Marina, beijou-a e começou a falar em forma de desabafo:
-"Está sendo muito difícil para mim ... Por favor não complique mais." Neste momento as lágrimas irromperam dos olhos de Eric como uma cascata d'água.
-"NÃO! NÃO! - esbravejou Marina, lacrimejando também e recolhendo a mão - Você me fez te amar, me fez bela, me fez sorrir ao seu lado! Você não pode simplesmente entrar na minha vida, me fazer uma apaixonada e depois sair assim."
-"Eu não vou te deixar, vou estar com você em seus pensamentos. Nos momentos mais difíceis, sempre estarei ao seu lado." Ele tentava assim, minimizar o insuportável sofrimento. Afinal, doía. Doía muito. Dor que ele jamais ousara suportar. Forçava-se a admitir que tudo ia passar e ficar bem, talvez para diminuir o aperto em seu coração e sentir-se melhor; embora subconscientemente soubesse que aquilo não era verdade. Seria uma ferida muito profunda e demoraria um longo período para cicatrizar.
Estava perdendo tempo parado ali, ao lado de sua amada, e embora não pudesse contar o que porquê, tinha que sair daquele lugar o mais depressa possível. Queria congelar o tempo, paralisar os relógios e petrificar aquela imagem. Imaginara tantos planos com Marina, que em sua cabeça surgira a imagem de um jovem casal- de imediato reconhecido por ele, como ele próprio e Marina -, caminhando de mãos dadas por uma grande extensão de grama esverdeada e rasa, coberta por orquídeas e violetas em pontos variados do gramado. Estava absorto em seu pensamento, quando ouvira aquiela voz conhecida, que penetrava em seus ouvidos como uma linda canção...
-"Eric" - choramingava Marina - "Esquece isso. Você pôs um sorriso em meu rosto e agora está abrindo uma ferida em meu corção. Prometeu que nossa história duraria para sempre."
-"Nada é pra sempre Marina. Infelizmente, a gente aprende isso da pior maneira, mas aprende."
-"Será que nada do que nós vivemos juntos valeu para você?" - suplicava Marina.
Eric pensou por um breve instante e então...
"NÃO" - mentiu ele - "Se isso vai fazer você me esquecer... Foi tudo uma farsa, tá bom. Eu..."
-"É MENTIRA, É MENTIRA! ADMITA QUE NEM VOCÊ ACREDITA EM SUAS PALAVRAS! VOCÊ ME AMOU, COMO EU TE AMEI... Não pode simplesmente acabar." Marina ajoelhou-se aos pés de Eric, em uma derradeira e desesperada atitude, desejando que aquilo não passasse de um pesadelo.
Eric fez o mesmo, e por um longo minuto o único som que ouvia-se era o de lágrimas caindo e ricocheteando no chão úmido da praça deserta e coberta por um ceú muito azul e estrelado.
Então, Eric deu um longo - e último, talvez- beijo em Marina, que retribui envolvendo-o em seus braços finos, cobertos pela malha do casaco amarelo, que ele presenteara-a.
Foi tudo muito rápido.
Eric se levantara pressurosamente em um salto e saiu correndo sem rumo, desabaladamente, antes de sussurrar baixinho: "Se cuida, te amo... eu volto pra continuarmos nossa história."
Marina aparentemente caíra em um sono instantaneamente após o beijo, e foi despertada por um longínquo e contínuo ruído que se aproximava.

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