INTERIORES

Adentro o antigo alpendre do sobrado
A elevar-se amplo sobre alto porão.
Mas paro à porta meu passo sem chão
Ao vazio de seu piso desabado.

Embora sem ninguém mais ao meu lado,
Sonho pessoas que, havidas ou não,
Habitam o silêncio e a escuridão
D'esse estranho lugar abandonado.

Logo, vejo sem ver crianças d'antanho
Tomando o espaço todo a gargalhar,
Indiferentes a outro olhar castanho.

E atravessa as janelas alvo luar...
Ao que d’orvalho e névoa em vão me banho,
Absorto em sobre o nada contemplar.

Lagoa da Prata - 10 10 2013