ARIOSO

Há quem diga que Amor é tão arisco,
Que às vezes vem sem quê nem para quê
Depois se vai enquanto ninguém vê,
Partindo sem deixar o menor visco.

Mas quem, por sua própria conta e risco,
Em males para o bem, melhor o crê.
E, no afã que Amor faça-lhe mercê,
Uma trave ao olho passa como cisco...

É assim que, galante e enamorado,
Um cristal lhe colore a realidade
Como sonhasse embora despertado.

Pois mais sofre d'Amor a liberdade
A ponto de por certo ter o errado
Ou mesmo uma mentira por verdade.

Betim - 14 05 2018