PAU DE FITAS

Dançam as raparigas cá em roda
D'um mastro d'onde fitas coloridas,
Que passo a passo à música tecidas,
Vão cobrindo a madeira quase toda.

Quer virgens suspirantes pela boda
Ou belas a sorrir desinibidas,
O quadro que compõem bem parecidas,
N'um canto da memória se acomoda.

Jovens elas; velho eu... Tão-só recordo,
Em face do presente, o meu passado:
Belezas e tristezas tão de acordo!...

Elas sorriem. E eu, cá do meu lado,
Em transes melancólicos transbordo,
Por entre as suas fitas prisionado.

Betim - 15 08 2018