ALFORRIA


Pois, se a liberdade é uma conquista,

De facto não se nasce livre, torna-se;

A face d'um sorriso aberto adorna-se

Com aquilo que os olhos têm em vista.


Ninguém nos dá ardor com que resista.

Ao que o espírito, aqui e ali, amorna-se.

Mas mesmo a escuridão d'estrelas orna-se

E as quedas não demovem o optimista.


Porque tal carta não me fora herdada,

Tampouco por senhores concedida,

Antes com sangue e lágrimas comprada.


E àqueles que hão-de vir, dou por sabida

N'uma alforria a ser reconquistada

Viver todos os dias d'essa vida.


Betim - 01 10 2018