Quem?

Não sei quem és. Já não te vejo bem... 

E ouço-me dizer (ai, tanta vez!...) 

Sonho que um outro sonho me desfez? 

Fantasma de que amor? Sombra de quem? 

Névoa? Quimera? Fumo? Donde vem?... 

- Não sei se tu, amor, assim me vês!... 

Nossos olhos não são nossos, talvez... 

Assim, tu não és tu! Não és ninguém!... 

És tudo e não és nada... És a desgraça... 

És quem nem sequer vejo; és um que passa... 

És sorriso de Deus que não mereço... 

És aquele que vive e que morreu... 

És aquele que é quase um outro eu... 

És aquele que nem sequer conheço... 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"



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http://www.recantodasletras.com.br/audios/poesias/58428