FOME
(Selda Moreira Kalil)

Quando não se tiver mais nada
Bagunça astrológica, escolhas sinistras.
Entre o chão e a escada
Comida na mesa, rastreada a pobreza.

Quando deveria ser o que de fato não é
A maré fica baixa
Nada se tem,nada se leva
Um Deus nos acuda, sem dinheiro no caixa.

Quando há espinhos fincados
Panelas vazias, corações acanhados.
Saúde escassa, fome soprando na beira da estrada.

Quando pensar que morreu
Jesus estará no seu leito a orar
Dividindo o seu pão que lhe veio a faltar.