Diante a mim papéis e incertezas,
Coloca-me pena à mão no cárcere
Mergulhando meu ser na estranheza
De porvir encontrar perdida chave.

O lírio a cair de mãos pequenas,
Mostra-se livre em cada torta letra
A seguir moça de rubras melenas
Lúdica, dança a fim que eu padeça.

As éguas antropófagas me fitam,
Querendo a carne pura de minh’alma
Gruem ferozes a cada efialta.

Chegam-me idéias que desatinam,
Ardentes olhos, a loucura cega.
Eis que inexisto onde letras definham.


* P.S: Soneto inspirado no livro, A caverna das idéias de José Carlos Somoza.

Rio de Janeiro, 25 de março de 2010.