Quando no calendário surge o estio,

com seu calor a castigar a tez...

O canto da cigarra é a bola da vez,

a ressoar infindo num cicio!

A formiga tão lesta com honra e brio,

no seu trabalho sem nenhum talvez;

carrega folhas para quando o mês,

de chuva forte e de difícil frio,

chegar firme ao nosso calendário,

ela suporte os dias tão precários,

que a natureza nos impõe sem falha...

Enquanto que a cigarra num canto,

emudece de vez seu rude canto,

tornando-se mero enfeite de palha!