Atraído pelo teu cio (Fragmentos)

Tu que tens a seiva que revitaliza meu viço;
Tu que me atrais pelos lábios horizontais e me leva a imaginar tocando as bordas carnudas e verticais;
Tu que encharcas minha sede e implantas a ânsia de te querer;
Tu, exibindo teu ondular, ressecas minha íris e incitas meu hidratar;
Tu que excitas meus estímulos e os faz sussurrarem reclamos, ao meu peito, do silêncio da contenção;
Tu que me dás água na boca por querer provar deste mel que poderia ser o prêmio a compensar os amargos da vida;
Tu que tens o que há muito tempo não despertava minha cobiça;
Tu que me desequilibras quando estável, me causando aperto no peito, dificuldade de respirar e perda da razão;
Tu que, com tua faceirice, despertas meu latejar;
Tu que, com este ar de "inocência", reacendes a chama, já quase em cinzas, e me elevas à conduta do "pecado original";
Tu que causas ciúmes à flor do campo e deseducas meu desejar;
Tu que, com este olhar, no momento oportuno, sabes dizer e pedir o que deseja o coração;
Tu que, com este relevo corporal de saliências agudas e onduladas, me devoras, a você eu rogo: se me percebe, não queira escravizar este teu réu; não queira ver meu fim nem me ver murcho; leve-me a caminhos por onde ainda não trilhei; ouse ao menos por um instante, quebrar a timidez e fixar o olhar em mim que, ainda inibido, aguardo o confluir dos corpos, pois bêbado de sede e inquieto, espero de forma emergente, o momento de tateá-lo; e neste desequilíbrio entre o corpo e a razão, fico na relutância de neutralizar os estímulos, que por vezes, me vencem e arrastam-me à sua dominação, e neste encanto, fico ávido e tonto só de pensar em escalar seus montes, tragar de forma voraz seu "vinho" e ser embebido por sua ondulação.