Linguagem do silêncio

Quando o amor age em silêncio, se expressa com mansidão; se jorra num olhar distante... quando apenas contempla o que já tem nas mãos; e com o rolar de uma lágrima, como orvalho que desliza de uma folha, descreve seus sentimentos, que anunciam um corpo dependente... e alheio à razão. Os lábios?!... pronunciam apenas meio sorriso, enquanto por dentro, lateja o coração; e como um favo, aguarda o néctar em silêncio... para lambuzar-se no mergulho da imersão. O peito?! Este já nem reclama mais, pois, dilacerado e tonto, como num vazio de um abraço não dado, sabe da surdez daquele que vive a suspirar com a ânsia de que não se satisfaz com o que a vida oferece apenas em porção.