Quando tudo está prestes a desmoronar, me vem aquela
dor insuportável na boca do estômago, quando tudo parece não ter mais
volta, essa dor me corrói por dentro, quando parece não haver uma saída,
quando não há mais nada que se possa fazer, essa dor me invade. É como
um aviso: se prepare, você sofrerá de grandes ataques de raiva, sua
reposta para tudo será “tanto faz” e a vida se transformará em um
pesadelo. É estranho, confuso, intrigante, não tenho vontade de morrer,
mas não tenho vontade de viver também, tanto faz. Deito. Navego em um
mar de incertezas com um barco furado, cada vez mais perto de afundar, a
corrente é forte, e não tenho forças para lutar contra ela, de repente
surgem pessoas, calmantes e me ajudam a suportar um pouco mais essa
difícil tarefa de sobreviver. Acho que esses calmantes e essas pessoas
realmente me ajudam, porquê, de uma forma ou de outra, eu volto a
respirar. Então, percebi que são essas pessoas que eu devo insistir em
manter por perto e não implorar a estadia de alguém que insiste em ir.
Vá, desancore seu barco e navegue até as profundezas da minha memória.